Keila Abeid | Muito Prazer

Do Jazz a Evidências…

Do Jazz a Evidências...Interpretar a canção tem sido pra mim uma das coisas mais apaixonantes que tem.
Quando começamos a estudar canto, aprendemos que há várias áreas a aprender para sermos bons cantores. A técnica vocal, percepção auditiva, teoria musical, repertório e interpretação. Claro que cada parte desse estudo ainda se subdivide em várias outras.
Eu passei por tudo, dediquei bastante tempo a técnica vocal, com professores e fonoaudiólogos, estudei teoria e percepção na Fundação das Artes e ULM, e fui formando meu repertório de acordo com as minhas preferências. A ultima coisa que cuidei, foi a interpretação, e isso porque durante um bom tempo, eu me atentava muito mais as melodias do que à letra. E não tem nada de errado nisso, mas confesso que a interpretação acabou ficando por último.
A coisa começou a mudar quando comecei a pós graduação em Canção na Faculdade Santa Marcelina. Alí começamos a discutir todos os aspectos que envolvem a canção, desde a música, a letra, produção, história, contexto e interpretação. Foi aí que comecei a me apaixonar. E por conta dessa vivência na canção, que eu e o Ogair Junior, resolvemos abordar a canção da nossa forma, de acordo com o nosso repertório pessoal e musical, e colocar isso numa masterclass.
Tudo isso pra falar como cheguei em Evidências.
Quem me conhece mais de perto, sabe que o repertório que gosto transita entre o jazz vocal e instrumental e a música brasileira principalmente. Ouço de tudo naturalmente, mas tenho minhas preferencias como qualquer pessoa. Na hora de escolher o repertório, sempre acabo naquilo que tá mais na mão e no ouvido, nas favoritas da playlist. Mas pra falar de interpretação, por que não fazer algo que não faria? Não se enganem, gosto de Evidencias, tanto quanto qualquer brasileiro, e já cantei em voz alta sob o efeito do álcool nos karaokês da vida. Mas confesso que daí a coloca-la no meu repertório, não me passava pela cabeça. Quando estávamos acertando o que faríamos na nossa master, e como aplicaríamos nossa identidade na canção, eu e o Ogair, tocamos algumas canções, mas estava ainda tudo muito óbvio. Foi quando brincamos: Ah, vamos tocar Evidencias então. Tá na boca de todo mundo.
A brincadeira se tornou uma boa idéia. E não é porque ela não faz parte do nosso set list natural, que ela não seja uma boa canção. Muito pelo o contrário. Eu acho uma super canção e adoro a letra. Foi quando começamos a tocar, conversar sobre como a interpretaríamos, e chegamos onde chegamos.
Como eu disse no início, interpretar a canção é cada vez mais apaixonante pra mim. A canção atrelada ao estudo e as nossas habilidades na música, pode nos levar a muitos lugares.
Deixo pra vocês nossa interpretação.
Espero que gostem.

 

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